Artigo | Um pouco sobre Charlotte Brontë

Retrato da poetisa e escritora Charlotte Brontë. Imagem: Getty Images.

Em 21 de abril de 1826, nasceu Charlotte Brontë, a terceira filha do clérigo Patrick que, posteriormente, tornou-se a mais velha das conhecidas irmãs Brontë. Descrita como uma pessoa reservada, Charlotte precisou lidar com as dificuldades que surgiram em sua vida e encontrou na escrita um refúgio.

Órfã de mãe aos cinco anos, Charlotte foi enviada pelo pai para um colégio interno com as irmãs mais velhas Maria e Elizabeth. Por causa das péssimas condições da escola, as primogênitas faleceram em menos de um ano e Charlotte retornou ao seio familiar, na vila de Haworth, em uma cidade no interior de Londres. Nesse período, juntou-se aos caçulas Branwell, Emily e Anne, e começou a escrever sobre reinos imaginários. Os lugares eram registrados em formato de conto e poema.

Aos 23 anos, para ajudar nas despesas, Charlotte começou a trabalhar como preceptora. Em cartas enviadas para o pai e as irmãs, descrevia os sofrimentos nos lares das famílias abastadas onde atuava. Abandonou o posto três anos depois, partindo com Emily para Bruxelas, onde trabalhou no internato administrado pelo professor Constantin Héger. Entre idas e vindas, retornou para Haworth em 1844, pois não aguentou a saudade da família e a paixão sentida pelo professor.

De volta ao lar, vivendo de suas economias e da herança herdada da tia (dinheiro deixado para todos os Brontë), Charlotte pode se dedicar com mais afinco a vida de escritora. Em 1846, lançou em conjunto com Emily e Anne uma coleção de poemas sob os pseudônimos Currer, Ellis e Acton Bell, respectivamente. No mesmo ano, Charlotte tentou publicar o livro O Professor, mas não obteve sucesso. No ano seguinte, após diversas tentativas de encontrar uma editora, Charlotte conseguiu lançar seu segundo romance, Jane Eyre. A obra virou um best-seller e um de seus livros mais elogiados.

Depois de Jane Eyre, seguiram outros lançamentos de sucesso: Shirley (1849) e Villette (1853). E em paralelo a esse destaque profissional, surgiram mudanças na vida pessoal de Charlotte: a autora se casou em 1854 com um amigo da família, Arthur Bell Nicholls, e ficou grávida logo em seguida. Porém, diante de uma saúde frágil, Charlotte morreu no final da gravidez de tuberculose e desidratação em 31 de março de 1855. Após sua morte, foram publicados os livros O Professor (1857) e Emma (1860), e biografias consideradas por leitores e pesquisadores como controversas.

Charlotte Brontë foi capaz de transformar a dor em arte em cada uma de suas obras. Nelas, é possível notar fragmentos da vida da escritora, como a vivência em um ambiente escolar insalubre, conflitos amorosos, exclusão social, invisibilidade feminina e batalhas internas entre atender as normas sociais e construir sua trajetória, respeitando seus princípios. Quem sabe Charlotte esteja entre as romancistas clássicas mais lidas e com mais adaptações para o audiovisual por ter tido a coragem de retratar esses dilemas.

A mais velha das irmãs Brontë mostrou em seus escritos diversas temáticas sociais, sendo a principal o poder da liberdade, como a dádiva de partir de qualquer lugar e situação quando quisesse. Como escreveu em Jane Eyre “Não sou um pássaro, e não há rede que me prenda. Sou um ser humano livre, com vontade própria, que agora exerço para ir-me embora e deixá-lo.” (Jane Eyre, página 326 – Versão física, Editora Principis).

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