Artigo | Um pouco sobre Beverly Jenkins

Beverly Jenkins é uma escritora norte-americana e suas obras são focadas em resgatar a história e o protagonismo do povo negro. Imagem: Divulgação/Internet.

Natural dos Estados Unidos e vencedora do Romancistas da América, em 2017, Beverly Jenkins é uma famosa escritora de diversos gêneros e subgêneros voltados integralmente à literatura negra. Dos mais de 40 livros publicados desde a década de 1990, sua inserção nas livrarias brasileiras ocorreu em 2021 por meio das obras Ventos de Mudança e Tempestade Selvagem, pertencentes à série Mulheres Pioneiras. No idioma original, a série é chamada de Women Who Dare.

Bev, modo carinhoso como é chamada por fãs, disse em uma entrevista em 2015 que, apesar de seus trabalhos mais famosos serem romances históricos baseados em fatos importantes da sociedade norte-americana, se considera uma “historiadora de cozinha”. Sua missão é divulgar casos fundamentais da história da população negra nos Estados Unidos, invisibilizados por anos, mediante suas obras. Então, a autora executa exímias pesquisas em artigos e matérias e os usa como alicerces de seus escritos – sempre indicados no final de seus livros.

E é por causa dessa procura e investigação de pedaços da trajetória do povo preto, infelizmente apagados de registros considerados oficiais, que Beverly possui uma escrita diferenciada ao intercalar dilemas do cotidiano e romance com questões raciais vigentes no contexto histórico reproduzido. A jornada de suas protagonistas, por exemplo, é construída a partir do desejo delas em obter independência financeira, realização profissional e um casamento por amor, obstáculos comuns de uma mulher nos anos 1800. E o preconceito, o racismo e a luta por direitos pós-guerra civil americana, negados às pessoas pretas, não são colocados em segundo plano, mas em paralelo nas vidas das personagens.

Como afirmou em uma entrevista para o site Jezebel, Bev acredita ser impossível separar alguém da época em que viveu. E se um escritor ou escritora tem o desejo que as pessoas aprendam algo durante uma leitura, é preciso saber equilibrar a narrativa para não ser uma trama dura ou fantasiosa demais. E no caso das pessoas pretas recém-libertas, cerne de seus enredos, a autora descreve os crimes cometidos contra elas, assim como mostra suas conquistas deslegitimadas por uma parte da sociedade, como construções de faculdades e espaços comunitários; ou suas relações pessoais, como os momentos divertidos em festas de aniversários, conversas com vizinhos, surgimento de amizades e relacionamentos amorosos.

Com isso, Beverly apresenta romances pautados pela representatividade, lança protagonistas inspiradoras, debate sobre temáticas ainda silenciadas e expõe o ontem do racismo que, se não fosse a data, poderia muito bem ser a reprodução de uma matéria dos jornais de hoje. A autora também traz momentos de tensão que só uma pessoa preta consegue compreender e referências históricas ricas em seus livros, no qual um ser curioso pode passar horas pesquisando para depois encantar-se novamente nas páginas do volume. E, claro, tórridas cenas sensuais e muito, muito romance.

Ainda sobre suas obras, o público leitor acostumado a ler livros em que as pessoas pretas estão sempre em posição de subserviência, se surpreende ao encontrá-las em um cenário do século XIX assumindo posições de destaque como médico, advogado, proprietário de hotel, professora, dona de fazenda, jornalista, entre outros. São personagens históricos e comuns, inspirados em pessoas reais que viveram as situações retratadas, todas referenciadas nas páginas finais. O desfecho deles, claro, contém o querer da autora em relatar um final feliz.

Em um momento em que diversas obras literárias estão sendo adaptadas para o cinema e plataformas de streaming, seria maravilhoso que Beverly Jenkins tivesse seus trabalhos nas telas. Quanto mais gente conhecer Miss Bev, melhor!

Se interessou pelas produções de Beverly Jenkins? Você pode acompanhá-la no twitter (@authorMsBev) ou acessar https://beverlyjenkins.net/. O site da autora não possui alternância de idiomas. Quem não tem familiaridade com a língua inglesa precisa optar pela tradução automática existente nos navegadores.

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