
O ser humano possui seus princípios, mas é capaz de deixá-los de lado para matar sua curiosidade ou obter seu bem-estar. No que diz respeito às obras de terror, isso torna-se o elemento fundamental para o ponto de partida do enredo. E em O Cemitério, o autor Stephen King construiu de modo consistente essa narrativa do horror baseada nas mudanças de atitudes diante de problemas considerados sem solução.
Na história, Louis Creed se muda com a esposa e o casal de filhos para a pequena cidade do Maine. Nos primeiros dias, conhecem Jud Crandall, morador da casa em frente, que os leva para uma caminhada até o cemitério da cidade onde crianças da região enterram seus animais de estimação. Louis descobre que atrás do local há outro cemitério, mas que esse deve ser evitado. Porém, ao se deparar com uma situação irreversível, vai até o espaço proibido, mudando completamente os rumos de sua vida e de sua família.
Em O Cemitério, há um diálogo baseado em até onde um homem racional consegue seguir por esse caminho quando ocorrências espirituais afetam diretamente sua família. E quando essas circunstâncias começam a acontecer sucessivamente, a dor e a loucura começam a andar juntas, no qual a primeira aparece de modo explícito quando não há nada que contenha a segunda.
É interessante notar que no livro também é exposto o quanto o ser humano ultrapassa seus limites para ter o que não está a seu alcance. E que até suas próprias crenças se tornam desacreditadas quando se está cego (ou quem sabe louco) para atingir seu objetivo.
A obra, apesar do medo inevitável que pode causar, busca propor a discussão a respeito das questões humanas e da responsabilidade das atitudes tomadas, sejam no campo terreno ou sobrenatural. Pois como afirma Crandall: “O solo do coração de um homem é mais empedernido (…) Mas um homem planta o que pode… e cuida do que plantou”.
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