Resenha | Cujo e os conflitos internos de seus personagens

Edição pertencente a coleção Biblioteca Stephen King, lançada em 2016 pela Editora Suma. Foto: Erica Marques.

As obras de Stephen King possuem grande intensidade na narrativa. O protagonismo não é centrado apenas no sobrenatural, pois o objetivo em seus contos também é mostrar a batalha de seus personagens contra seus demônios internos, ao mesmo tempo em que encaram situações espirituais. E no livro Cujo, lançado em 1981, King faz isso com maestria.

Na história, o casal Vic e Donna Trenton, junto de seu filho Tad, se mudam para a zona rural de Castle Rock. Nessa nova realidade, a família precisa lidar com os problemas conjugais e uma possível perseguição espiritual. Enquanto tentam resolver as duas coisas, Vic viaja para solucionar uma emergência no trabalho e Donna – junto de Tad – vai até a oficina de Joe Camber. Mas em vez do mecânico, Donna encontra Cujo, um São Bernardo de noventa quilos com uma raiva fora do comum, e percebe que o veículo quebrado é o único local seguro.

A narrativa de Cujo é tomada por sensações de angustia que passam pelo núcleo principal até chegar na família Camber e o próprio Cujo. Nos Cambers isso é destacado na busca de Charity em se divorciar de Joe e tirar o filho, Brett, do ambiente tóxico em que o lar se tornou. E com Cujo o sentimento é descrito quando animal busca resistir ao que está tentando tomar contar de seu corpo e mente, no qual é possível acompanhar o passo a passo da perda de sua docilidade.

O componente sobrenatural torna-se coadjuvante em determinados momentos e os casos fictícios na obra são capazes de estarem próximos do mundo real, sendo tão doloridos quanto a descrição de um ataque demoníaco/raivoso.

No final do livro, o leitor pode até ficar na dúvida se Cujo matava aleatoriamente por ter contraído raiva ou se foi possuído pelo espírito que assombrava Tad. Mas o que pode ter certeza é que as consequências das atitudes humanas são tão fortes quanto os ataques sobrenaturais.

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